Time to look inside.
To understand and sort out the colors
Feelings and thoughts
Choosing the brushes,
Observing the quiet canvas
Blanking out the mind, the soul
Diving deep into it
To become the thread and the weft
And embody that delicate space
Between the white rough tissue
and the black soft graphite of my pencil
Gently, tenderly scretch one line at the time
And another line,
and another one and then so many
And so intensively and so madly
That the arm will fall exhausted
And the eyes will close
and the muscles will give up
All together
Collapsing in silence
Until only the sound of my breath
Will again catch my attention
And this tired breath will inspire
Inspire and expire, again and again
Until the sublime act of painting.
Love disguised in gesture
Colouring each space
Creating life and form
That will forever seat
in deadly stillness
And yet
say so much
Throughout eternity
Even long, long after I’m gone.
art
Rescue
Des-Humano
O vazio, nem sempre é desabitado.
Existem as cores
Os móveis
Os gatos
Que povoam o nada como se fossem tudo.
Como os únicos merecedores
De todo e qualquer lugar.
Ali não há ninguém para chamar o mundo de seu
Nenhum bandeirante para dizimar nenhuma raça.
Os homens são extremamente desnecessários
Quando se trata de paz e harmonia.
O espaço
A quietude
Não é desprovida de movimento
Nem sofre de melancolia.
A vida, mesmo que no silêncio dos cômodos
Não vê nenhum incômodo
Nenhuma falta
Nenhuma apatia
Na ausência.
Ultimamente
Nada anda mais desumano
Do que a figura humana.
Que reinem soberanos
Os gatos
Os móveis
E o vazio,
Repleto de cores.
Oposto Complementar
Opostos complementares
Parecem iguais, mas não são
Sentimentos opostos
Complementares
O desejo de ir, ficando
Ou o de ficar, indo.
Sonho com realidade
E realidade sonhada.
O ruído do silêncio
Luz na escuridão
Medo, multidão
Amor,
Solidão
A difícil arte de viver
Se mescla com a
Vida difícil de fazer arte.
Prazer e desesperança
Utopia, fé
Reza-se, entrega-se
Pede-se aos céus
Porque ceticamente,
[intimamente]
Não se vislumbra o divino
Tinta é só tinta
E as vezes também é vida
História
Ficção e realidade.
Vida e morte
Beleza, sujeira, maldade.
Iniquidade.
Polaridade
Confusão-harmonia.
Igual, mas diferente.
Opostos que se completam.
Se encontram, complementam.
Dualidade da unidade.
Atração e repulsão
Alma, gente
ego e alma
Caos-Paz
[caos]
Calma.
Extremos
Limite
O fim do corredor
Não é o fim de todo o caminho
Nem o fim da casa
Ou o fim do mundo
É um canto onde se para
Descansa e pensa
Sobre os começos vindouros
Os novos trajetos
andanças,
Saídas.
É ali onde se lava o rosto
Se despe do pó
E se olha,
Com ternura,
O corredor vencido
A janela respingada de chuva
E tudo que ela guarda
Por tras do frágil vidro
A tiunfal escapada
A rebelde fuga
O pulo furtivo
A aventura escancarada
E até, quem sabe,
O despertar desse confinamento
A irresistível e irremediável entrega
Para a possibilidade
Para a imensidão.
Sonho/Pesadelo
Família
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… não corde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito
E dava um suspiro… que fundo !
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
(Carlos Drummond de Andrade)
Para esse primo que foi tio, que muitas vezes foi pai, e que dividiu memórias que coloriram minha infância. Gratidão.









