O vazio, nem sempre é desabitado.
Existem as cores
Os móveis
Os gatos
Que povoam o nada como se fossem tudo.
Como os únicos merecedores
De todo e qualquer lugar.
Ali não há ninguém para chamar o mundo de seu
Nenhum bandeirante para dizimar nenhuma raça.
Os homens são extremamente desnecessários
Quando se trata de paz e harmonia.
O espaço
A quietude
Não é desprovida de movimento
Nem sofre de melancolia.
A vida, mesmo que no silêncio dos cômodos
Não vê nenhum incômodo
Nenhuma falta
Nenhuma apatia
Na ausência.
Ultimamente
Nada anda mais desumano
Do que a figura humana.
Que reinem soberanos
Os gatos
Os móveis
E o vazio,
Repleto de cores.
