Há tempos venho pensando na vida, nos papéis que ela envolve, como nos personagens de uma grande peça improvisada. O porquê das escolhas, dos caminhos, dos erros e acertos. Daquilo que pode ser controlado, filtrado, e daquilo que simplesmente é ( por acaso ou falta de opção, por ser maior do que a decisão de não ser).
A gente não escolhe algumas coisas, elas são.
Outras a gente pode usa e abusar do livre arbítrio e brincar com as possibilidades, as nuances da escolha e da vontade.
Ser mãe, para mim foi acaso e depois um grande caso de amor. Deixei acontecer porque no fundo sempre quis ter alguém meu, só meu. Depois descobri que essa possessão é efêmera, temporária, e dura mais ou menos só enquanto seus peitos estão cheios de leite, e a criatura cheia de fome… Depois passa e ele é, desde muito cedo, um ser de si próprio, completamente independente. É um ser que é e dá a exata dimensão de como amar além da medida compreendida como possivel, mas que exerce, desde sempre, seu direito a autonomia, a individualidade.
Meu filho foi a grande descoberta de mim fora de mim, alias ilustra como todo grande conhecimento funciona: nasce, cresce e se desenvolve dentro, para depois te testar fora.
Hoje, dia das mães, dedico essa pintura as mães que tentam entender e exercer esse amor.
Se chama 7 gatos e tem 3 mães, de tamanhos, jeitos e tempos diferentes, cuidando deles, entre a diversidade de estampas dos panos que secam no varal, a leveza do polem que voa, o acolhimento da relva que acolhe os pés desnudos e despreparados de quem ama e cuida.
Dedico a minha mãe, alma sensivel que sofreu e sofre pelas crias.
Essa guerreira frágil que quer amor tanto quanto o ar que respira, mas ja entendeu que mesmo sendo a respiração um ato involuntário, ela mesma deve exercitar esse movimento, esse trabalho que nunca acaba, esse fluxo constante de ar, auto amor e sobrevivência.
Feliz dia das mães mamãezinha!
Te amo pra sempre!
Bjs
