feminismo

Mysteries

Mysteries of the night

Com pés descalços

Sobre a relva

Úmida e verde

Sentimos a brisa 

Leve e morna

Que apazigua

O coração

Cansado.

Trazemos estrelas nas mãos 

e jóias inestimáveis na alma

Carregamos esperança 

por tempos melhores

Um mundo mais justo

e igualitário.

Vislumbramos os mistérios 

que justifiquem

a dor e o vazio

daquilo que ainda

não podemos

transformar

em mágica

e beleza.


Luciana Mariano (c)

Meritocracia


Cada um sabe de si. E sabe dos seus desafios e do quanto de suor e lágrimas investidos para alcançar o êxito. Crescimento requer tempo, mas tempo não é tudo. Fatores como meio, investimento, apoio, suporte, encorajamento e incentivo moral, psicologico, físico, material… São importantes. Mérito têm todos aqueles que “chegam lá” e provavelmente até os que não chegam. Crescer e conquistar não é apenas questão de esforço ou determinação. Tornar-se, transformar-se, conseguir e alcançar é resultado uma caminhada longa em um caminho sinuoso e cheio de obstáculos. Sejam por noites mal dormidas ou refeições balanceadas, a sorte do seu status interfere na rapidez e qualidade da conquista do seu mérito. Seja pela cor da sua pele ou pelo gênero que habitas, sua vitória tem, sim, o peso do seu papel social e o meio em que ele se insere. Nada é fácil para ninguém, mas alguns chegam de carro com ar condicionado enquanto outros se arrastam sem pernas por paralelepípedos escaldantes, ladeira acima. Dizer “para você ou aquele é fácil” é enxergar somente o resultado sem as variáveis envolvidas. O mérito ou o demérito, a conquista ou o fracasso são decididos ou definidos em relação a que? A quem? Não subestime as conquistas alheias, mas também não romantize as adversidades alheias.

– Ela está brincando.

– Mas quem a impulsionará?

– Ao menos ela tem um balanço

– Mas para que serve se você não alcança nem o chão, nem o céu.

– E depois?

– Depois ainda tem um mundo inteiro para percorrer, conquistar.

– Sim. E ela não tem sapatos.

Ela está sentada ali.

Mas ninguém sabe como ela chegou lá.

Hoje ensina, observa, guia.

Ela tem o que não deram.

Ela dá o que não teve.

Ela não acredita em meritocracia.

Luciana Mariano (c)

In cotas we trust.


Januária sabia que pra gente dela não tinha moleza, não tinha trégua, não tinha perdão.

Januária foi estudar, a luz de velas ou ao relento. Com fome ou com sono.

Com fé ou com raiva. Januária tinha sonhos nos olhos e força no coração.

Nada nunca foi fácil para Januária. Nada.

Mas ela escolheu ler Freire do que escutar a voz romântica da miséria.

LM

( Escultura disponível / sculpture available)