Muito pouco vale a pena.
Amigos abandonam
Familia decepciona
Você, hora escória
Hora história
Nem sempre emociona.
Quase nunca convence
Nunca vence.
Pássaro, livre
Coleta da vida o que precisa
E segue, sempre em frente
Nem lembra que teve ninho
Que foi ovo, casca, clara, gema
Passa-rinho
O que importa é o que passa pelo bico
E o vento que sopra as penas
Sem pena
A duras penas
Sobre as pernas
Plenas.
Muito pouco importa.
Pé de alface lá na horta
Alimento do dia
Alma vazia
Estrada torta
Areia no pé
Aberta porta
História morta.
O céu azul, acima
E a cabeça branca
Branda
Como planta
Muda
Olhar no horizonte
Atravessando a ponte
Só
Surda.
Quase nada lá dentro
Só o sol
Só a brisa
Só estrela e firmamento
Sem lamento
Sem rima
Palavra
Pensamento
Só a vida.
Só o vento.
