mulheres

Mysteries

Mysteries of the night

Com pés descalços

Sobre a relva

Úmida e verde

Sentimos a brisa 

Leve e morna

Que apazigua

O coração

Cansado.

Trazemos estrelas nas mãos 

e jóias inestimáveis na alma

Carregamos esperança 

por tempos melhores

Um mundo mais justo

e igualitário.

Vislumbramos os mistérios 

que justifiquem

a dor e o vazio

daquilo que ainda

não podemos

transformar

em mágica

e beleza.


Luciana Mariano (c)

Generations

Luciana Mariano (c)

Através das gerações carregamos nossos fardos, nossas dores, mas também nossa sabedoria ancestral, nossos talentos. Ao longo do tempo, histórias se tornam estórias e somos capazes de adicionar magia e poesia ao que foi árido e pesado. Trançamos nossos cabelos em todas as cores, formas e texturas para formar um só cordão de desejos, cheios de esperança e força. Somos uma só, embora sejamos muitas e todas únicas. Meninos se tornam pássaros e mulheres se tornam terra, e vice e versa. E na dança da vida nos unimos em comunhão por tudo aquilo que queremos prosseguir, aperfeiçoar e transformar, respeitando nossa efemeridade na perenidade do tempo, permitindo nossas falhas é que alcançamos nossas vitórias. Não sabemos direito o sentido de tudo, mas observamos os fractais da existência, aceitando, resistindo e contornando tudo aquilo que a cada dia brota em nossa estrada. Seguimos com passos firmes, olhos atentos e, sempre que possível, com a leveza do ar.

Through the generations we carry out our burdens and pains, but also our ancestral wisdom and talents. Over time, history become stories and we are able to add magic and poetry to what was dry and heavy. We braid our hair in all colors, shapes and textures to form a single string of desires, full of hope and strength. We are one, although we are many and all unique. Boys become birds and women become earth, and vice versa. And in the dance of life, we unite in communion for everything we want to pursue, improve and transform, respecting our ephemerality in the perpetuity of time, it is allowing our failures we reach for our victories. We don’t really know the meaning of all things, but we observe the fractals of existence, accepting, resisting and overcoming everything that arises on our path, every day. We carry on with firm steps, alert eyes and, whenever possible, with the lightness of air.

Cages


Cages are homes, hearts, minds, routines. You may love your cage, but it is still a cage.

I am prisioner to the books I never wrote, the the music I never composed, to the love I didn’t give.

Life is a sentence.

*****

Cages/Gaiolas – 2017 – 30×40 – Luciana Mariano (direitos reservados)

DISPONÍVEL / AVAILABLE

*****

Tenho sonhado muito nos últimos dias. Uma sonharada que por vezes lembro, outras não, que às vezes fazem sentido, outras me põem ainda mais ansiosa, confusa. Se sonhos são projeções do inconsciente, minha alma está povoada pelo tumulto, pela agitação, multidões barulhentas de quadros ainda não concebidos. Muito movimento, muitas histórias e sentimentos que me fazem acordar cansada – como se a vida diária, acordada, já não se encarregasse disso.

Vivo a síndrome do estrangeiro, aquele que não pertence em lugar nenhum e especialmente aqui sei que não me encaixo. Me falta algo que vai além do que sei descrever, uma sensação de desconforto que me roça a pele, incomoda e sufoca como espartilho sobre a roupa e sapato de tiras, de salto, apertados.

Tenho conseguido meditar um pouco, o que que ajuda a recobrar a sanidade. Aquela paz de quem observa à distância, que vê o torto mas não se curva para segui-lo. Aquela aceitação da impotência, misturada com a tranquilidade de quem já entendeu que às vezes só o tempo mata ou cura. Ele, o tempo, não falha nunca, quem falha é a vida, efêmera, fragilzinha, mecânica, utópica. A cabeça trabalha o tempo todo, mesmo quando tenta, se esforça deliberadamente para não fazê-lo. Ela avalia tiranos, examina possibilidades e, sempre que possível, acordada ou dormindo, sonha.

Hoje meu sonho me estapeou pra fora da cama, acordei com a frase: “É o que é.”

Aceitação? Nem sei… Não costumava ser dessas.

Mas é. É o que é.

Um dia de cada vez.

Vou fazer o que sei, preciso e posso. Vou pintar. E assim sou feliz, leve, livre.

Quando não pinto por algum tempo, os quadros borbulham dentro de mim, como essa enxurrada de sonhos descontrolados, querem sair. Metáfora perfeita para eu, que quero sair. É o que é. Vou pintar.

Sobreviver é urgente quando se trata de viver de arte.

Para viver entre saudade e sonho, prefiro pintar: a única e secreta, pessoal e intransferível forma de enganar o impiedoso tempo.

É o que é.

Que bom, melhor assim.

O Golpe

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1o. De Abril de 1964
50 anos do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e instalou a ditadura, o atraso e o terror no Brasil. Às mulheres guerreiras, guerrilheiras, lutadoras, idealista, torturadas, humilhadas, violadas, violentadas, surradas e mortas pelo mal e pela tirania daquele período, todo meu respeito, solidariedade, amor.

Ditadura nunca mais.
Tortura nunca mais.
Todo poder ao povo.
Todo respeito às mulheres.

Tempo, vento e pensamento

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Liberdade
Tão linda
Essencial

As vezes, tão rara.

Mulheres
no mundo todo
Todos os dias
Lutam,
Anseiam
Conquistam
Ganham
Perdem
Fracassam
Vencem

E dão sentido a ela.

Mulheres – Women – Donne – Kvinder

Descobri que a mulher é um universo.

Ela é a origem da vida, o alimento, a fúria e o amor, a loucura e a sabedoria. Ela trai seu próprio genero, ela dá força ao inimigo, ela pede a prisao para ansiar a liberdade, ela luta, ela se liberta, ela morre e renasce, espantosa e insistetemente. Diferente, única, ela se reinventa a cada dia, hora, ano, vida. Ela é efemera como a flor, marcante como seu perfume e bela como a natureza a fez… Prova viva da existencia divina.

Feliz dia Internacional da Mulheres, a mulheres e homens que merecem esse mérito, essa homenagem, porque já aprenderam a valorizam suas mulheres, sua feminilidade e acima de tudo o feminino sagrado em tudo o que existe.

Mulheres possíveis

o_quarto_rosa

“Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana – e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela. Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante”.

Martha Medeiros – Jornalista e escritora