poesias

Vitrine

Abismal

Meus olhos estão olhando

De muito longe, de muito longe.

Das infinitas distâncias

Dos abismos inferiores.

Meus olhos estão a olhar do extremo longínqüo

Para você que está distante de mim.

Se eu estendesse a mão, tocaria sua face.

Mas os cinco dedos pendem como um lírio murcho

Ao longo do vestido.

Aqui tudo é leve, silencioso, indefinido,

imóvel.

Não tenho mais limites.

Tornei-me fluida como o ar.

Seus olhos têm apelos magnéticos,

mas estou abismada

Em profundezas infinitas.

(Helena Kolody)

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MANEQUIM (DIVAGAÇÕES)

Serei eu, idas e vindas entre olhares curiosos,
Que sobre os ombros se insinuarão para mim?
Serei fendas e batalhas travadas sob o luar
Onde as estrelas me servirão de guia?… Ou
Serei um manequim rígido, frigido e mudo,
Que horas estarei despido de panos e horas
Nu de sentimentos só esperando que alguém me toque?
Serei eu um lenho morto retirado da floresta que ganhara vida
Nas mãos hábeis de um artesão?… Ou serei a lápide fria onde
Fincarei raízes e brotarei novamente em forma de flor
Onde servirei de alimento para os pássaros e as borboletas?

Autor: Jose Aparecido Botacini

29/04/2009

FONTE: http://sitedepoesias.com/poetas/Zezinho