Telefone

Objeto IX

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Falo mas não digo
Ouço sem entender
Amo e não toco
Olho o invisível
Indecifrável Compreensão
Sigo,
A passos atônitos
Sorriso in-expressivo
Num domingo de sol
Guardada sob lençóis
Do quarto escuro de setembro.

Comunico
Porque assim, no mínimo
Me deixam só
Em paz
Nesse vácuo
Pesada leveza de quase não existir.
Presto atenção redobrada no respirar
Prova viva de que continuo consumindo
Gastando
Usando
Sendo
Indo

Entre falsos olhares de preocupação
Eles não se importam, eu, tampouco.
Fazem de conta que sabem
E eu que demonstro
Com exatidão
O nada a que me submeto.

Só as cores importam
As formas não são relevantes
Aliás, nada realmente é.