Author: Luciana Mariano

Painter.

Família

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Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… não corde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito
E dava um suspiro… que fundo !

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

(Carlos Drummond de Andrade)

Para esse primo que foi tio, que muitas vezes foi pai, e que dividiu memórias que coloriram minha infância. Gratidão.

Com a avó no aquário da cozinha

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Saudades da minha avó.
Do abraço, da doçura, do carinho em forma de doce
Do falar manso
Do olhar verdinho
Da curiosidade
Do esforço
Da dedicação.
Sou imensamente grata pela presença dela na minha vida.

Esse exercício, me levou às lagrimas.
A saudade dos abraços que já não tenho
Minha avó, meu irmão, meu pai.

Saudade de ser cuidada.

Saudade de ser pequena e não precisar, nem me importar.

(…)

Que bom que ainda tenho minha mãe, minha irmã, meu filho.

Que bom ter reaprendido a desenhar e a brincar com as cores.

Rebeca Luciani e Larissa Ribeiro, obrigada pelas 2 semanas de pura aventura!