So close and yet, so far.
Author: Luciana Mariano
OBJETO III
OBJECT VVII
OBJECT XXII
Objeto VIII
Quem não tem pecados, que atire a primeira pedra.
Vejo pedras demais no caminho, mas nenhuma delas pavimenta.
Vejo gente que reza uma história e pratica outra.
Gente que julga e se senta no altar dos imaculados.
Gente que vive de imagem enquanto destrói o sonho alheio.
Fachadas suntuosas com ruínas internas.
Imundos corredores.
Quanta sujeira
Quanta decepção.
Chega de dar importância demais a quem merece de menos. Muito menos. Nada.
Por tempo demais, vi gente “boa” pisando de propósito na barra do vestido alheio.
Desejo de destruir, desabilitar sonhos, diminuir o brilho, a luz… por puro prazer.
Só a raça humana faz isso. O pior da raça humana.
Insistente sujeira,decepção.
Males desnecessários, mas que ensinam a quem quiser aprender.
Separar o joio do trigo. Entender a escuridão. Realizar o nojo.
Fartar-se.
Digerir.
Repelir.
Transmutar.
Quebra, ruptura.
Vazio, vácuo.
Ao invés da luta, entrega.
A unica cura possível é a pessoal. E ainda assim requer desejo.
Ela acontece no desapegar, no desprender, na desconexão.
Mudar e continuar alimentando feras não soa razoável. Nem possível.
Mudar, de fato, significa cortar as amarras e voar
Exercer a leveza da alma e do tempo.
Movimento interno, intenso
Silencioso, solitário, eterno.
Quanta bobagem se escuta e se vê.
Tantas outras se escreve.
Objecto VI
OBJECT IV
Muito pouco vale a pena.
Amigos abandonam
Familia decepciona
Você, hora escória
Hora história
Nem sempre emociona.
Quase nunca convence
Nunca vence.
Pássaro, livre
Coleta da vida o que precisa
E segue, sempre em frente
Nem lembra que teve ninho
Que foi ovo, casca, clara, gema
Passa-rinho
O que importa é o que passa pelo bico
E o vento que sopra as penas
Sem pena
A duras penas
Sobre as pernas
Plenas.
Muito pouco importa.
Pé de alface lá na horta
Alimento do dia
Alma vazia
Estrada torta
Areia no pé
Aberta porta
História morta.
O céu azul, acima
E a cabeça branca
Branda
Como planta
Muda
Olhar no horizonte
Atravessando a ponte
Só
Surda.
Quase nada lá dentro
Só o sol
Só a brisa
Só estrela e firmamento
Sem lamento
Sem rima
Palavra
Pensamento
Só a vida.
Só o vento.
Objeto IX
Falo mas não digo
Ouço sem entender
Amo e não toco
Olho o invisível
Indecifrável Compreensão
Sigo,
A passos atônitos
Sorriso in-expressivo
Num domingo de sol
Guardada sob lençóis
Do quarto escuro de setembro.
Comunico
Porque assim, no mínimo
Me deixam só
Em paz
Nesse vácuo
Pesada leveza de quase não existir.
Presto atenção redobrada no respirar
Prova viva de que continuo consumindo
Gastando
Usando
Sendo
Indo
Entre falsos olhares de preocupação
Eles não se importam, eu, tampouco.
Fazem de conta que sabem
E eu que demonstro
Com exatidão
O nada a que me submeto.
Só as cores importam
As formas não são relevantes
Aliás, nada realmente é.
TRANSVERSAL
Novas músicas
Novos sons
Novas artes
Novas idéias
Novos conceitos
Novos lugares
Novas pessoas
Novas risadas
Novas dores
Novos prolemas
Novas decepções
Novos amores
Novos medos
Novas dúvidas
Novas estratégias
Novas respostas
Novos caminhos
Novas cores
Novas alegrias
Novas perguntas
Novos sabores
Novas formas
Novos sentidos
Novas soluções
Novos dias
Novas palavras
Novas
Novas
Novos
Ovas,
Ovos.
Petróleo
Vejo contraste em tudo que olho.
A cor se opõe ao vazio
a luz à escuridão
Polaridades
Dicotomias
Policromias
Oposições
Um perene nojo no ar
Uma náusea insistente
Do que é mas não deveria.
Do fofo, doce, lindo, aconchegante
Borrado (intencionalmente) com petróleo
A aflição do inevitável
O desencanto
A realidade.
O que é realidade?
O que é dor?
O que temos para hoje?









