Author: Luciana Mariano

Painter.

Oposto Complementar

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Opostos complementares

Parecem iguais, mas não são
Sentimentos opostos
Complementares
O desejo de ir, ficando
Ou o de ficar, indo.
Sonho com realidade
E realidade sonhada.
O ruído do silêncio
Luz na escuridão
Medo, multidão
Amor,
Solidão

A difícil arte de viver
Se mescla com a
Vida difícil de fazer arte.
Prazer e desesperança
Utopia, fé
Reza-se, entrega-se
Pede-se aos céus
Porque ceticamente,
[intimamente]
Não se vislumbra o divino
Tinta é só tinta
E as vezes também é vida
História
Ficção e realidade.
Vida e morte
Beleza, sujeira, maldade.
Iniquidade.

Polaridade
Confusão-harmonia.
Igual, mas diferente.
Opostos que se completam.
Se encontram, complementam.
Dualidade da unidade.
Atração e repulsão
Alma, gente
ego e alma
Caos-Paz
[caos]
Calma.

Extremos

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Parece que quanto mais frágil,
Mais algozes a rondar
Quanto mais débil
Mais tiranos a solta.
É fácil amar o belo
Cultuar o perfeito
Cortejar o pronto
Difícil é arriscar
No incerto
Levantar
O derrotado
Defender
O fraco.
O sonho vislumbra paz
Mas o pesadelo desafia o horror.

Limite

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O fim do corredor
Não é o fim de todo o caminho
Nem o fim da casa
Ou o fim do mundo
É um canto onde se para
Descansa e pensa
Sobre os começos vindouros
Os novos trajetos
andanças,
Saídas.
É ali onde se lava o rosto
Se despe do pó
E se olha,
Com ternura,
O corredor vencido
A janela respingada de chuva
E tudo que ela guarda
Por tras do frágil vidro
A tiunfal escapada
A rebelde fuga
O pulo furtivo
A aventura escancarada
E até, quem sabe,
O despertar desse confinamento
A irresistível e irremediável entrega
Para a possibilidade
Para a imensidão.

Família

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Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… não corde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito
E dava um suspiro… que fundo !

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

(Carlos Drummond de Andrade)

Para esse primo que foi tio, que muitas vezes foi pai, e que dividiu memórias que coloriram minha infância. Gratidão.

Com a avó no aquário da cozinha

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Saudades da minha avó.
Do abraço, da doçura, do carinho em forma de doce
Do falar manso
Do olhar verdinho
Da curiosidade
Do esforço
Da dedicação.
Sou imensamente grata pela presença dela na minha vida.

Esse exercício, me levou às lagrimas.
A saudade dos abraços que já não tenho
Minha avó, meu irmão, meu pai.

Saudade de ser cuidada.

Saudade de ser pequena e não precisar, nem me importar.

(…)

Que bom que ainda tenho minha mãe, minha irmã, meu filho.

Que bom ter reaprendido a desenhar e a brincar com as cores.

Rebeca Luciani e Larissa Ribeiro, obrigada pelas 2 semanas de pura aventura!