this is my cousin
Author: Luciana Mariano
Vitrine
Abismal
Meus olhos estão olhando
De muito longe, de muito longe.
Das infinitas distâncias
Dos abismos inferiores.
Meus olhos estão a olhar do extremo longínqüo
Para você que está distante de mim.
Se eu estendesse a mão, tocaria sua face.
Mas os cinco dedos pendem como um lírio murcho
Ao longo do vestido.
Aqui tudo é leve, silencioso, indefinido,
imóvel.
Não tenho mais limites.
Tornei-me fluida como o ar.
Seus olhos têm apelos magnéticos,
mas estou abismada
Em profundezas infinitas.
(Helena Kolody)
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MANEQUIM (DIVAGAÇÕES)
Serei eu, idas e vindas entre olhares curiosos,
Que sobre os ombros se insinuarão para mim?
Serei fendas e batalhas travadas sob o luar
Onde as estrelas me servirão de guia?… Ou
Serei um manequim rígido, frigido e mudo,
Que horas estarei despido de panos e horas
Nu de sentimentos só esperando que alguém me toque?
Serei eu um lenho morto retirado da floresta que ganhara vida
Nas mãos hábeis de um artesão?… Ou serei a lápide fria onde
Fincarei raízes e brotarei novamente em forma de flor
Onde servirei de alimento para os pássaros e as borboletas?
Autor: Jose Aparecido Botacini
29/04/2009rua – street – gade – strada – straße
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
Eque pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar esofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
Victor Hugo
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FELIZ ANIVERSÁRIO JMR!
Lareira * Fireplace * Pejs * Camino
Família * Famiglia * Family * Familie
Uma familia de verdade, uma família linda…
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Saiba mais sobre meu Projeto Retrato de Família, mandando um comentário aqui! If you want a Family portrait, painted on naif/folk style, please leave a comment!
e uma poesia notável, do brilhante Drummond.
Retrato de família
Este retrato de família
está um tanto empoeirado.
Já não se vê no rosto do pai
quanto dinheiro ele ganhou.Nas mãos dos tios não se percebem
as viagens que ambos fizeram.
A avó ficou lisa, amarela,
sem memórias da monarquia.Os meninos, como estão mudados.
O rosto de Pedro é tranqüilo,
usou os melhores sonhos.
E João não é mais mentiroso.O jardim tornou-se fantástico.
As flores são placas cinzentas.
E a areia, sob pés extintos,
é um oceano de névoa.No semicírculo de cadeiras
nota-se certo movimento.
As crianças trocam de lugar,
mas sem barulho: é um retrato.Vinte anos é um grande tempo.
Modela qualquer imagem.
Se uma figura vai murchando,
outra, sorrindo, se propõe.Esses estranhos assentados,
meus parentes? Não acredito.
São visitas se divertindo
numa sala que se abre pouco.Ficaram traços da família
perdidos nos jeitos dos corpos.
Bastante para sugerir
que um corpo é cheio de surpresas.A moldura deste retrato
em vão prende suas personagens.
Estão ali voluntariamente,
saberiam – se preciso – voar.Poderiam sutilizar-se
no claro-escuro do salão,
ir morar no fundo de móveis
ou no bolso de velhos coletesA casa tem muitas gavetas
e papéis, escadas compridas.
Quem sabe a malícia das coisas,
quando a matéria se aborrece?O retrato não me responde,
ele me fita e se contempla
nos meus olhos empoeirados.
E no cristal se multiplicamos parentes mortos e vivos.
Já não distingo os que se foram
dos que restaram. Percebo apenas
a estranha idéia de famíliaviajando através da carne.
in Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade.
detalhes-details-detaljer-dettagli
Os teus pés
Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,
Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
A duplicada purpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.
Pablo Neruda
Paradiso * Paradis * Paradise * Paraíso
Se esse amor
Ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor
Vai se gastar…
Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais…
Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa num altar…
Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais…
Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar…
Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais…
Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar…
http://www.youtube.com/watch?v=Q7dOoFlSmg8
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SONETO DE AMOR
Pablo Neruda
Desnuda eres simple
como una de tus manos,
lisa, terrestre, minima,
redonda, transparente,
tienes lineas de luna,
caminos de manzana,
desnuda eres
delgada como el
trigo desnudo.
Desnuda eres azul como
la noche en Cuba,
tienes enredaderas y
estrellas en el pelo,
desnuda eres
enorme y amarilla
como el verano en
una iglesia de oro.
Desnuda eres pequena
como una de tus unas,
curva, sutil, rosada
hasta que nace el dia
y te metes en el
subterraneo del mundo.
como en un largo tunel
de trajes y trabajos:
tu claridad se apaga,
se viste, se deshoja
y otra vez
vuelve a ser
una mano
desnuda.
meninas
Destruição
Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.
|
// // Carlos Drummond de Andrade |
A matter of taste
when you trade a bowl of sweet strawberries for a plate of rice and beans, it´s not stupidity…
it´s just a matter of taste.
For me sugar, cream and plenty of strawberries, please!
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| Cuidado | |
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ALTA ESTIMA
Doce surpresa da semana.
Ninguém está realmente sozinho se depender dos amigos. As vezes acho até que Deus não me deixou ganhar na loteria ainda porque o capital humano que ele me provê é superior a qualquer fortuna financeira que eu possa imaginar em possuir. Nesta semana encontrei minha amiga-anjo Valeria Paterna, a quem me cedeu casa, comida e amizade, há 20 anos atrás. Amigos de verdade são assim. Tesouros raros. Jóias únicas. Valores que o coração guarda e que nunca perdem o valor, a beleza, a grandeza.
Ainda me pego espantada com o plano divino que coloca pessoas assim no meu caminho.
Amigos são exemplos da ALTA estima fora de nós… e motivos para a AUTO estima dentro de nós.
Obrigada Valeria Teresa Paterna, Claudia Grosso-Couto, Susanna, Francesca e Vittoria Gianinni, Famiglia Di Legami, Elô, Vanessa, Márcia, Claudia, e tantas, tantas amigas e amigos que moram no meu coração e me acolhem nos seus.


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