
Português abaixo:
This canvas has been laying around for a few years.
I started it in England about 4 ago and it has travelled with me to many places since then.
I started it painting the background, just some colorful walls and a gray sidewalk.
Then a few years later the doors and windows appeared. Then another long pause.
Life happens and time passes merciless, no matter what you do.
Corona virus strikes the world now and we all fell, with or against our will, into confinement.
As a painter, confinement and isolation has been a long awaited dream.
Without further explanations nor guilt feelings, I finally found the time I needed and craved for, just to sit down quietly and paint.
Then the painting that was just a few flat strikes of color started to resemble something; a place.
It gained people and details, curtains and stories.
It found reasons, directions, questions and answers.
I found it specially interesting when I finished it and posted on my FB page, asking what name it should get.
Because everyone have their own focus and feelings about on the current situation, the suggested names also found corolation with social isolation.
Here were the suggested names:
Vida que segue
vida pós covid
calcada
liberdade
a vila
cores da cidade
cotidiano
dias bons
vidas medidas
The colours of life
se essa rua fosse minha
viver
na rua, na vida
Little worlds
Reviver
Vida e prazer
Where is Luciana (or Shelagh)
Fim da pandemia
A rua da minha infancia
A vida segue normal
A invisibilidade do preto
Observacao de uma vida invisivel
Memorias da minha infancia
Vá pra casa e se cuidem
Cotidiano perdido
É o que esperamos
Idas e vidas
When life goes back to normal
After the covd19 pandemic
Cortico gourmet
Cada um no seu quadrado
E a vida enfom vltou ao seu normal
…and the street was empty of fear
vidas vividas
Vida!
Em qual porta você quer entrar?
Fofoqueiros / desocupados
Viznhanca
Mundo de cores
The doors
Antes do corona
Fica em casa, desgraca!
It was very interesting to see the suggestions and for my surprise I understood a bit more abut the dinamics of perceiving art.
These were my conclusions:
- Perception and understanding are subjective. People see what they already have inside of them. Fear, fun, poetry, memories…the eyes reach out to what appeals to their hearts.
- whatever people are experiencing personally or in their social sphere, it will influence their perception and understanding of the art.
- the name of the piece helps to understand and develops the visual narrative.
It becomes an explanation, a complement and a continuation of what the eyes can see. It draws the attentions to details or to the general idea, but mainly its increases the dialogue between the work and the viewer.
I loved this interaction.
And as an artist it helps me to understand what in my work will also reach and communicate better with my public.
In the end, this painting was baptized by someone that saw the painting out of the social media enquiry.
It is now called “HETKI”, meaning “Moment”, in finnish.
And I justify the choice:
“Moment” respects everyone`s view and understanding for this specific work.
In moments of turmoil, we all have our expectations and hopes, feelings we want to bring back (or forward), a moment where we find love or peace,
the happiness or health we all crave in life.
May this moment be the symbol of all good things to come.
the colors we need
the feelings that brings us to the best in us
the life we all hope to be possible, after this moment of chaos is gone.
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Esta tela existe há alguns anos. Comecei na Inglaterra há cerca de 4 anos e viajou comigo para muitos lugares desde então. Comecei a pintar o fundo, apenas algumas paredes coloridas e uma calçada cinza. Alguns anos depois, as portas e janelas apareceram. Depois, outra longa pausa. A vida acontece e o tempo passa sem piedade, não importa o que você faça. O vírus Corona atinge o mundo agora e todos nós caímos, com ou contra a nossa vontade, em confinamento. Como pintora, confinamento e isolamento eram um sonho há muito esperado. Sem justificativas nem sentimentos de culpa, finalmente encontrei o tempo que precisava e desejava para apenas me sentar em silêncio e pintar. Então a pintura que era apenas alguns traços de cor começou a parecer com algo; um lugar. Ganhou então pessoas e detalhes, cortinas e histórias. Encontrou razões, direções, perguntas e respostas. Achei especialmente interessante quando terminei e postei na minha página do FB, perguntando qual o nome que ela deveria receber. Como todos têm suas próprias preocupações pela situação atual, os nomes sugeridos também encontraram ressonância com o isolamento social. Aqui estão os nomes sugeridos:
Vida que segue
vida pós covid
calcada
liberdade
uma vila
cores da cidade
cotidiano
dias bons
vidas medidas
As cores da vida
se essa rua fosse minha
viver
na rua, na vida
Mundos pequenos
Reviver
Vida e prazer
Onde está a Luciana (ou Shelagh)
Fim da pandemia
Rua da minha infancia
A vida segue normal
A invisibilidade do preto
Observacao de uma vida invisivel
Memorias da minha infancia
Vá pra casa e se cuidem
Cotidiano perdido
O que esperamos
Idas e vidas
Quando a vida volta ao normal
Após a pandemia covid19
Cortico gourmet
Cada um no seu quadrado
E a vida enfim voltou ao seu normal
… e a rua estava vazia de medo
vidas vividas
Vida!
Em qual porta você quer entrar?
Fofoqueiros / desocupados
Viznhanca
Mundo de cores
As portas
Antes do corona
Fica em casa, desgraca!
Foi muito interessante ver as sugestões e, para minha surpresa, entendi um pouco mais da dinâmica de percepção da arte.
Estas foram minhas conclusões:
- Compreensão e percepcão são subjetivas. As pessoas vêem o que já têm dentro delas. Medo, diversão, poesia, lembranças … os olhos alcançam o que atrai seus corações.
- o que quer que as pessoas vivenciem pessoalmente ou em sua esfera social, isso influenciará sua percepção e compreensão da arte
- o nome da peça ajuda a entender e desenvolver a narrativa visual. Torna-se uma explicação, complemento e continuação do que os olhos podem ver. Chama a atenção para os detalhes ou para a idéia geral, mas principalmente aumenta o diálogo entre a obra e o espectador.
Adorei essa interação e como artista, isso me ajuda a entender o que no meu trabalho alcançará e como se comunicará melhor com o público. No final, essa pintura foi batizada por alguém que viu a obra fora na pesquisa na mídia social. Agora seu nome é “HETKI”, que significa “Momento”, finlandês.
E justifico a escolha: Momento respeita a visão de todos e a compreensão deste trabalho específico. Em momentos de turbulência, todos temos sentimentos e percepcões pessoais e queremos voltar (ou avançar) para um momento onde encontramos amor ou paz, a felicidade ou a saúde que desejamos e esperamos na vida. Que essa pintura e esse momento sejam o símbolo de todas as coisas boas que esperamos. As cores que precisamos, os sentimentos que traz o melhor de nós para a vida que esperamos ser possível, depois que o caos desse momento se for.
(c) direitos reservados
Luciana Mariano, 2020