naïf

Outside of the box

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Olhamos demais para o nossos umbigos
Mas não enxergamos
O que precisa, de fato,
Ser visto.

Embasamos nosso conhecimento
No conforto de nossas casas
Nossas caixas
Limitadas
Quadradas

E toda nossa vida
Nossas verdades engessadas
Nossos preconceitos
E ignorâncias
Jazem aos nossos pés
Rasos
Como nossa inteligência
Ingerência
Insuficiência
Insignificância.

In the box
Nothing
Extra-ordinary
Will be found.

Grounded by knowledge

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Leia
Conheça
Instrua-se
Mas não dependa só do que dizem
Para saber

Pense
Imagine
Conclua
Mas não limite-se a verdade absoluta
Porque ela simplesmente não existe

Invente
Acrescente
Mude
Experimente
Porque o conhecimento
Mais do que acrescentar
É o que te permite voar

Leia mais
Escute mais
Fale menos
Respire
Medite

Conhecimento constrói
Mas a sabedoria liberta

What money can’t buy

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Não se pode comer dinheiro.
Nem tê-lo como companhia.
Também não se pode ser feliz só porque você o possui.
A vida pode ser cheia de prazeres comprados por ele
Você pode ficar rodeado de amigos atraídos por ele
Mas ele não compra paz… Nem sinceridade.
Valores que transcendem a vida
Não são adquiridos pelo dinheiro
São conquistados
Numa batalha
solitária
silenciosa
Diante do espelho da vida.

Limite

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O fim do corredor
Não é o fim de todo o caminho
Nem o fim da casa
Ou o fim do mundo
É um canto onde se para
Descansa e pensa
Sobre os começos vindouros
Os novos trajetos
andanças,
Saídas.
É ali onde se lava o rosto
Se despe do pó
E se olha,
Com ternura,
O corredor vencido
A janela respingada de chuva
E tudo que ela guarda
Por tras do frágil vidro
A tiunfal escapada
A rebelde fuga
O pulo furtivo
A aventura escancarada
E até, quem sabe,
O despertar desse confinamento
A irresistível e irremediável entrega
Para a possibilidade
Para a imensidão.

Família

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Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… não corde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito
E dava um suspiro… que fundo !

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

(Carlos Drummond de Andrade)

Para esse primo que foi tio, que muitas vezes foi pai, e que dividiu memórias que coloriram minha infância. Gratidão.

Noisy silence

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It’s never been easy being me.
I want to be here but also there.
I need freedom, but also love.
I feel passion and extrem boredom.
I am a mess, and yet peaceful.

I look for movement and color and rest my head in dark quietness.

The way we clutter

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Thinking about things we accumulate throughout our lives and the way we clutter our inner and outer spaces. Good and bad, ugly and beautiful, we accumulate a whole lot of residuals from our experiences, impressions and time. Sometimes it’s like a cloud of virtual information, some times it’s like a dark and dusty room in the basement of our thoughts and feelings. No matter how laid in nicely it is, it’s clutter. When we do not pay attention to the frailty of existance we tend to surround our selves with things that will “serve” us later. We feel protected in the mess of our collections of past time, events and acquisitions but it only makes the pathway more full of obstacles, the luggage heavier, the view less wide. It’s like buying a heavy expensive coat to use during the winter in Siberia… When you are heading to summer in the Caribbean. If you can: Let go! Life only hapens in the present moment and the clutter you carry on you almost never will be as usefull as you thought it would. Give room to the new, to the light, to the unknown of each present minute of life. After all, all that you possess is not really yours and all this shall also pass.

Pensando nas coisas que acumulamos através da vida e como atravancamos nosso espaço interno e externo. Bom e mau, feio e bonito, nós acumulamos todos estes resíduos das nossas experiencias, impressões e tempo. Algumas vezes é como nós acumulamos um monte de resíduos a partir de nossas experiências, impressões e tempo. Às vezes é como uma nuvem de informação virtual, outras vezes é como um quarto escuro e empoeirado no porão dos nossos pensamentos e sentimentos. Não importa o quão arrumadinho esteja, é desordem. Quando a gente não presta atenção na efemeridade da nossa existência, a gente tende a cercar nosso ego com coisas que nos “servirão” mais tarde. A gente se sente protegido pela bagunça das nossas coleções do tempo passado, acontecimentos e aquisições, mas isso tudo só deixa o caminho mais cheis de obstáculos, a bagagem mais pesada e a vista menos panorâmica. É como comprar um casacopesado e caro para passar o inverno na Sibéria… Quando de fato você está indo para o Caribe. Se você puder: desapegue-se. A vida só acontece no momento presente e a bagunça que você carrega em você quase nunca vai ser tão útil quanto você pensava. Dê espaço para o novo, o leve, o desconhecido de cada minuto presente da vida. Afinal, nada do que você possui é realmente seu e isso tudo também há de passar.