Hoje é aniversário do meu irmão. Ele faria 51 anos se estivesse aqui. Saudades sem fim.
pinturas
Natal – Christmas – Natale – Jul
Choose your dreams
Tem realidade demais pra ser digerida nesse mundo gorduroso.
Sonhos, por outro lado
São doces e não engordam
São assustadores mas não matam
São confusos mas não importam
Neles, voar é possÃvel
Sonhar é passÃvel
Viver é passável
A madeira escorre
O chão flutua
Os potes transbordam
De nada
E nada existe
Nem tudo é.
Sonhar
Profundo, tranquilo como o cosmo
Revolto e indecifrável
como o mar
Um mar de sonhar.
Lá a loucura é permitida.
Andar nu, sentar-se, subir ou olhar
Entrar ou sair, exitar…
Lá tudo pode
Porque nada é.
Escolha o seu sonho
Um raro e um caro produto
De mentes sãs e perturbadas.
Escolha enquanto há tempo
Enquanto o tempo gira
Nos relógios que pairam
Que bela a vida que se contempla
daqui de fora
Daqui de cima
daqui do lado
Daqui de dentro
De onde viver e sonhar
Só depende do desejar
Só depende do desenhar.
sereia – mermaid – sirena – havfrue
Sereias são seres encantados
Inventados
Improváveis
Irreais
Metade peixe
Metade moça
Vivendo no mar
Só
Eternamente
Não se sabe nada delas
E quem soube, não sobreviveu para contar
Por tantas lágrimas vertidas de seus olhos frios
O mar se tornou salgado
Revolto
Profundo
Infinito
Se sua solidão é sina
Ou necessidade
Também não se sabe
Seu canto, pranto e tristeza
Seu nado, dança e Beleza
Divide sonhos e encantos
Mergulha a imaginação humana
Nos mistérios da natureza.
Portas
Portas me fascinam
passagens, saÃdas e entradas
Possibilidades, oportunidades
Chances de ação e repouso
Aconchego e liberdade.
Fechadas, ensinam a buscar outros refúgios, testar caminhos
Abertas, convidam a entrar, mas também permitem sair, buscar, sumir
Portas, portões, portais, passagens, tuneis, janelas, espaços efêmeros
Instáveis
Necessários
Simbolos de introspecção e fuga.
Proteção e libertação.
Expressão do quão aberto (ou fechado) se está para a vida.
Limiar entre a fachada sempre muito superficial
E as paredes internas, sua luz, sua escuridão.
Portas se abrem
Portas se fecham
Portas apenas estão.
Madeira, vidro, aço, ferro,
Tecido, palha, papel, algodão
Só espaço
por detrás e através
Só o momento, o lado
[in] PORTA
(trans) PORTA
{PORTA}
E a porta,
Que porta?
Ela já não importa.
Rest
A quiet place to rest.
It’s all that is needed at times.
Silence is a supreme gift at troublesome moments.
The perfect song for this moment:
How – John Lennon
How can I go forward when I don’t know which way I’m facing?
How can I go forward when I don’t know which way to turn?
How can I go forward into something I’m not sure of?
Oh no, oh no
How can I have feeling when I don’t know if it’s a feeling?
How can I feel something if I just don’t know how to feel?
How can I have feelings when my feelings have always been denied?
Oh no, oh no
You know life can be long
And you got to be so strong
And the world is so tough
Sometimes I feel I’ve had enough
How can I give love when I don’t know what it is I’m giving?
How can I give love when I just don’t know how to give?
How can I give love when love is something I ain’t never had?
Oh no, oh no
You know life can be long
You’ve got to be so strong
And the world she is tough
Sometimes I feel I’ve had enough
How can we go forward when we don’t know which way we’re facing?
How can we go forward when we don’t know which way to turn?
How can we go forward into something we’re not sure of?
Oh no, oh no…
Listen here: http://www.youtube.com/watch?v=Wq7jLEnZw6s&feature=colike
Silent movement
Time to look inside.
To understand and sort out the colors
Feelings and thoughts
Choosing the brushes,
Observing the quiet canvas
Blanking out the mind, the soul
Diving deep into it
To become the thread and the weft
And embody that delicate space
Between the white rough tissue
and the black soft graphite of my pencil
Gently, tenderly scretch one line at the time
And another line,
and another one and then so many
And so intensively and so madly
That the arm will fall exhausted
And the eyes will close
and the muscles will give up
All together
Collapsing in silence
Until only the sound of my breath
Will again catch my attention
And this tired breath will inspire
Inspire and expire, again and again
Until the sublime act of painting.
Love disguised in gesture
Colouring each space
Creating life and form
That will forever seat
in deadly stillness
And yet
say so much
Throughout eternity
Even long, long after I’m gone.
Oposto Complementar
Opostos complementares
Parecem iguais, mas não são
Sentimentos opostos
Complementares
O desejo de ir, ficando
Ou o de ficar, indo.
Sonho com realidade
E realidade sonhada.
O ruÃdo do silêncio
Luz na escuridão
Medo, multidão
Amor,
Solidão
A difÃcil arte de viver
Se mescla com a
Vida difÃcil de fazer arte.
Prazer e desesperança
Utopia, fé
Reza-se, entrega-se
Pede-se aos céus
Porque ceticamente,
[intimamente]
Não se vislumbra o divino
Tinta é só tinta
E as vezes também é vida
História
Ficção e realidade.
Vida e morte
Beleza, sujeira, maldade.
Iniquidade.
Polaridade
Confusão-harmonia.
Igual, mas diferente.
Opostos que se completam.
Se encontram, complementam.
Dualidade da unidade.
Atração e repulsão
Alma, gente
ego e alma
Caos-Paz
[caos]
Calma.
FamÃlia
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… não corde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito
E dava um suspiro… que fundo !
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
(Carlos Drummond de Andrade)
Para esse primo que foi tio, que muitas vezes foi pai, e que dividiu memórias que coloriram minha infância. Gratidão.
Com a avó no aquário da cozinha
Saudades da minha avó.
Do abraço, da doçura, do carinho em forma de doce
Do falar manso
Do olhar verdinho
Da curiosidade
Do esforço
Da dedicação.
Sou imensamente grata pela presença dela na minha vida.
Esse exercÃcio, me levou à s lagrimas.
A saudade dos abraços que já não tenho
Minha avó, meu irmão, meu pai.
Saudade de ser cuidada.
Saudade de ser pequena e não precisar, nem me importar.
(…)
Que bom que ainda tenho minha mãe, minha irmã, meu filho.
Que bom ter reaprendido a desenhar e a brincar com as cores.
Rebeca Luciani e Larissa Ribeiro, obrigada pelas 2 semanas de pura aventura!









