pinturas

Objeto VIII

20120912-191945.jpg

Quem não tem pecados, que atire a primeira pedra.
Vejo pedras demais no caminho, mas nenhuma delas pavimenta.
Vejo gente que reza uma história e pratica outra.
Gente que julga e se senta no altar dos imaculados.
Gente que vive de imagem enquanto destrói o sonho alheio.
Fachadas suntuosas com ruínas internas.
Imundos corredores.
Quanta sujeira
Quanta decepção.
Chega de dar importância demais a quem merece de menos. Muito menos. Nada.
Por tempo demais, vi gente “boa” pisando de propósito na barra do vestido alheio.
Desejo de destruir, desabilitar sonhos, diminuir o brilho, a luz… por puro prazer.
Só a raça humana faz isso. O pior da raça humana.

Insistente sujeira,decepção.
Males desnecessários, mas que ensinam a quem quiser aprender.
Separar o joio do trigo. Entender a escuridão. Realizar o nojo.

Fartar-se.
Digerir.
Repelir.
Transmutar.

Quebra, ruptura.
Vazio, vácuo.
Ao invés da luta, entrega.

A unica cura possível é a pessoal. E ainda assim requer desejo.
Ela acontece no desapegar, no desprender, na desconexão.
Mudar e continuar alimentando feras não soa razoável. Nem possível.
Mudar, de fato, significa cortar as amarras e voar
Exercer a leveza da alma e do tempo.
Movimento interno, intenso
Silencioso, solitário, eterno.

Quanta bobagem se escuta e se vê.
Tantas outras se escreve.

Objeto IX

20120908-233053.jpg

Falo mas não digo
Ouço sem entender
Amo e não toco
Olho o invisível
Indecifrável Compreensão
Sigo,
A passos atônitos
Sorriso in-expressivo
Num domingo de sol
Guardada sob lençóis
Do quarto escuro de setembro.

Comunico
Porque assim, no mínimo
Me deixam só
Em paz
Nesse vácuo
Pesada leveza de quase não existir.
Presto atenção redobrada no respirar
Prova viva de que continuo consumindo
Gastando
Usando
Sendo
Indo

Entre falsos olhares de preocupação
Eles não se importam, eu, tampouco.
Fazem de conta que sabem
E eu que demonstro
Com exatidão
O nada a que me submeto.

Só as cores importam
As formas não são relevantes
Aliás, nada realmente é.

TRANSVERSAL

20120903-144606.jpg

Novas músicas
Novos sons
Novas artes
Novas idéias
Novos conceitos
Novos lugares
Novas pessoas
Novas risadas
Novas dores
Novos prolemas
Novas decepções
Novos amores
Novos medos
Novas dúvidas
Novas estratégias
Novas respostas
Novos caminhos
Novas cores
Novas alegrias
Novas perguntas
Novos sabores
Novas formas
Novos sentidos
Novas soluções
Novos dias
Novas palavras
Novas
Novas
Novos
Ovas,
Ovos.

Where to go?

20120816-214050.jpg

I have no idea where to go… But I can feel I am getting closer.
I know I don’t need a car to take me there. Nor luggage.
My trip starts in my heart, travels through my eyes and can reach the most distant places in the Universe, as long as my hands can hold my brushes and my soul can carry my dreams.
It’s a lonely path, no doubt.
But there will be amazing creatures and moments along the way. Bonfires and the shadows will keep me warm and dance with me when the wind blows and the stars speak throughout the silence.
Life is an illusion. Time doesn’t exist.
But art does.
And thats all that matters.

André e Heitor

20120804-085926.jpg

When we are feeling pretty lost, we tend to search for roots, for references that may bring us back to safety and meaning. I have a gigantic family both on my dad’s and mom’s side. But I was raised not very close to neither, I always felt kind of separeted and not belonging to anything. This feeling made me grasp for a family of my own and when I was 21 I was already married and pregnant. 20 years later, my son is a grown up and the sense of empty nest syndrome sets in once again.
Through Facebook I got in touch with relatives that were long lost and missed. Some of them ( like the cousin in the painting) i have never met and yet, makes me long for something that runs deeper than the vains and surnames ties. André is a kind hearted person, who cares for his kid, helps the poor, works with at risk youth and yet takes his time to say hi and “like” stuff on the internet. Cool kid with a super cool little kid. So I painted him playing with Heitor. Because life passes too quickly when we play with our kids and some day, he will have this moment captured on canvas to rewind time.

……

Quando a gente se sente bem perdida, a gente começa a procurar por raízes, referencias que nos tragam seguramça e significado. Eu tenho familias gigantes do lado do meu pai e da minha mãe. Mas eu não fui criada muito próxima de nenhum dos lados, e eu sempre me senti meio separada e não pertencendo a coisa nenhuma. Esse sentimento talvez tenha sido a origem de eu, aos 21, ja estar casada e gravida. 20 anos depois, meu filho ja é adulto e a sensação de ninho vazio volta a aparecer. Pelo Facebook eu achei muitos parentes que ha muito havia me desencontrado e que faziam falta. Alguns deles (como o primo da pintura) eu ainda em conheço, mas me fazem falta por motivos ainda mais profundos do que os que correm nas veias ou nos laços de sobrenome. André é uma pessoa de coração enorme, que cuida do filhinho dele, ajuda pessoas que precisam, trabalha com dependentes químicos, corre e ainda assim tem tempo de dizer um oi e “curtir” coisas que ve na internet. Um cara legal com um filhotinho super legal. Então eu pintei ele brincando com o Heitor. Porque a vida passa rapido demais, especialmente quando brincamos com nossos filhos. Ai um dia, ele vai ter esse momento capturado na tela pra poder voltar no tempo! Beijos primos!

Noisy silence

20120602-231217.jpg

It’s never been easy being me.
I want to be here but also there.
I need freedom, but also love.
I feel passion and extrem boredom.
I am a mess, and yet peaceful.

I look for movement and color and rest my head in dark quietness.

The way we clutter

20120519-121055.jpg

Thinking about things we accumulate throughout our lives and the way we clutter our inner and outer spaces. Good and bad, ugly and beautiful, we accumulate a whole lot of residuals from our experiences, impressions and time. Sometimes it’s like a cloud of virtual information, some times it’s like a dark and dusty room in the basement of our thoughts and feelings. No matter how laid in nicely it is, it’s clutter. When we do not pay attention to the frailty of existance we tend to surround our selves with things that will “serve” us later. We feel protected in the mess of our collections of past time, events and acquisitions but it only makes the pathway more full of obstacles, the luggage heavier, the view less wide. It’s like buying a heavy expensive coat to use during the winter in Siberia… When you are heading to summer in the Caribbean. If you can: Let go! Life only hapens in the present moment and the clutter you carry on you almost never will be as usefull as you thought it would. Give room to the new, to the light, to the unknown of each present minute of life. After all, all that you possess is not really yours and all this shall also pass.

Pensando nas coisas que acumulamos através da vida e como atravancamos nosso espaço interno e externo. Bom e mau, feio e bonito, nós acumulamos todos estes resíduos das nossas experiencias, impressões e tempo. Algumas vezes é como nós acumulamos um monte de resíduos a partir de nossas experiências, impressões e tempo. Às vezes é como uma nuvem de informação virtual, outras vezes é como um quarto escuro e empoeirado no porão dos nossos pensamentos e sentimentos. Não importa o quão arrumadinho esteja, é desordem. Quando a gente não presta atenção na efemeridade da nossa existência, a gente tende a cercar nosso ego com coisas que nos “servirão” mais tarde. A gente se sente protegido pela bagunça das nossas coleções do tempo passado, acontecimentos e aquisições, mas isso tudo só deixa o caminho mais cheis de obstáculos, a bagagem mais pesada e a vista menos panorâmica. É como comprar um casacopesado e caro para passar o inverno na Sibéria… Quando de fato você está indo para o Caribe. Se você puder: desapegue-se. A vida só acontece no momento presente e a bagunça que você carrega em você quase nunca vai ser tão útil quanto você pensava. Dê espaço para o novo, o leve, o desconhecido de cada minuto presente da vida. Afinal, nada do que você possui é realmente seu e isso tudo também há de passar.

Nocturne

Quando eu durmo, minha alma leve flutua,  sonha, liberta, transcende.

Sem dores, sem medos, percorro o nada, nua, em paz e silêncio.

Nem passado, nem futuro, só o céu, as estrelas, as texturas aconchegantes de tecidos leves que tocam minha pele. Perfumes de flores, incensos, uma brisa quente que afaga meus cabelos sem pressa, nem expectativas.

Ninguém para esperar, nada para justificar, apenas a leveza do não ser, do nada, do ar. 

Quando eu durmo eu sonho, eu saio, eu sumo.

Silenciosa serenidade, sutil simplicidade, sonhos, sonhos e só.

Para você

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo…

E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante…

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero…

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar…

Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar…

Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero…

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar…

Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem…

Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar…

Eu desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar
Prá recomeçar…

Feliz Aniversário…Feliz vida!

Gato e rato

A proporção é a desproporção. Quem nunca se sentiu acoado? Quem nunca se sentiu injustiçado? Quem nunca se sentiu pequeno demais e sem forças?

Alguns por sarcasmo, outros por instinto, outros até por motivos alheios a compreensão humana, mostram-se nos bichos que realmente são.

Matar formigas com canhão. Já ouviu este ditado? Pois é, ele não existe. Mas embora ignorantemente inventado, ele expressa o esforço desesperado, inútil e ingênuo de tentar acabar com um mal que se infiltra  egoísta e sorrateiramente, tentando dominar uma situação. Na verdade, um gigantesco e inútil estorvo , massacrando a ínfima fração de um exército, mas sem a menor chance de eliminar o verdadeiro inimigo.

Instinto de sobrevivência todos têm. Todos precisam ter, enquanto ainda somos seres selvagens e rudimentares! Mas o instinto covarde de eliminar o outro por capricho, por sadismo ou vaidade, este eu não entendo. Nem acho que quero entender…

[…]

Que tipo de bicho você é?