memories

The distance between doors

7/12

The 7th work of this series is about the difficulty to go from one place to the other, even after you already relocated. How the paths may seem easy, but nothing is really easy when you feel vulnerable and weakened. The doors are in the same room, but the simple way from one to the other can make you feel afraid and represent dangers that your mind knows way too well to ignore. Mental health play a key role in it. The decision to start a new life is filled with fears and insecurities. And it takes a lot of courage not only to dare to leave but to arrive and deliberately choose the best possible path for yourself. Bringing in the good memories and allowing new friends into your life may help to keep the ghosts of the past at a safe distance. It is not easy to decide and choose to be happy, leaving behind all the rubble, wounds and bruises, but it is necessary, despite the impossibilities. And it’s worth it, despite the herculean efforts. I am grateful to the friends who helped me build new memories, easing my fears and creating safer shelters, with wider and more beautiful windows and views.

Luciana Mariano (Series: Finding home)

Original artworks available at MakslaXO Galley, in Riga, Latvia.

Rua do Comércio

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Artistas em geral são criaturas sonhadoras, sensíveis, estranhas, sofrem por qualquer coisa, tudo vira cor, tinta, drama, musica ou movimento em seus olhos. Ser artista não é fácil. Escolher entre ter e ser, na maioria das vezes não é opção, mas chamado de alma. Foi assim que depois de muitos anos tentando ser “normal” eu abandonei tudo, para tentar ser eu. Até agora tem dado certo, apesar das adversidades, ainda vale mais a pena se priorizar do que tentar agradar ao mundo. Não é fácil viver de arte, mas pintar todos os dias alimenta muito mais do que o corpo, motiva a continuar tentando, me ajuda a seguir sonhando, me enche de vontade de amanhecer mais dias e dormir mais noites.

O estilo que pinto é chamado NAÏF (ingênuo, espontâneo, primitivista). Isso quer dizer que não “aprendi” a pintar, mas que pinto desde sempre, com o olhar da criança em mim, despreocupada com parâmetros técnicos e estéticos, um exercício instintivo de cor e forma. O pintor naïf é necessariamente auto-didata, ele ilustra as fantasias, figuras do seu imaginário, bem como as lembranças de infância, personagens e momentos de sua história. Eu, paulistana da gema, pinto assim desde que descobri que tinha mãos e alcancei o primeiro lápis. Mas peguei a sério mesmo lá pelos 3 anos de idade. Minha mãe não vencia em comprar cadernos e mais cadernos de desenho porque minha compulsão por criar não cessava um instante sequer.

Minhas histórias e memórias retratam uma vida urbana e geralmente interna. Crianças crescidas em grandes cidades passam muitas horas dentro de casa e daí minhas pinturas refletirem tanto esse aspecto mais introjetado, mais caseiro. Cenas de avós em afazeres domésticos, crianças brincando em casa, pessoas e coisas entre muros e paredes, cenas enredadas em ambientes simples, comuns, familiares povoam meus trabalhos.

Há sempre um elemento estranho ou um detalhe inesperado, um gesto ou coisa que causam um convite a contemplação e interpretação do expectador. As vezes o expectador faz parte da obra, outras vezes, jaz em sua imaginação o desfecho de uma situação. O quadro brinca e fala sério. Mostra e esconde, sem muita pretenção, se espalha no acaso. Ele convida o expectador a olhar e depois a olhar de novo, adivinhar, solucionar.

Minha arte nasce das mãos da criança que fui, mas passam pelo crivo do adulto que sou. Nascem da memória, da imaginação, das histórias, das alegrias e também das dores. Na arte não me abstenho das emoções, estão todas lá, delicadamente escancaradas.

Meu último emprego formal foi uma de minhas inspirações pela vida. Fui Gerente de Relacionamento da Natura e o contato com dezenas e centenas de histórias pessoais me deram muita motivação e força para tentar seguir a carreira artística. Mulheres fortes, frágeis, mães, amigas, homens especiais, crianças, pessoas donas de histórias de beleza e superação povoaram meu imaginário antes de ousar sair no mundo e ser (oficialmente) artista. Há 5 anos pintando profissionalmente, meu último e-mail corporativo veio do homem que mais admiro até hoje , Sr. Luiz Seabra ( fundador da Natura), carinhosamente me incentivando a ousar, a buscar meu sonho. Nunca vou esquecer, nem deixar de agradecer pelo incentivo. Ele, mais do que ninguém, sabe que toda grande obra começa com um sonho, uma paixão. Gesto doce e nobre de incentivo, de uma humildade que só seres grandes são capazes. E ai estou… Na estrada!

Nestes últimos 5 anos, já expus meus trabalhos em 5 países. Este ano, quando a dúvida e a indecisão bateu à minha porta, mais 3 grandes convites surgiram: no segundo semestre de 2013 participarei de 3 importantes mostras internacionais na Belgica, França e Itália. De vagar e sempre as coisas vão acontecendo, as pessoas vão vendo meus trabalhos mundo afora e conhecendo um pouco mais do jeito, da vida, do cotidiano e da arte naïf paulistana, brasileira.

Assim, antes de partir, gostaria de comparilhar minha arte e meus sonhos com vocês!
Preciso vender quadros para continuar mostrando-os!
Divulgue para seus contatos, conte para aquele amigo que entende que arte é importante, que acredita no investimento, que gosta de cor!

Entre em contato se quiser adquirir uma pintura!

E visite:

Home


http://abertagaleria.blogspot.com.br/
http://www.democrart.com.br/artist/detail/artista.325/LucianaMariano/

Obrigada por acompanhar o meu trabalho e por incentivar toda e qualquer forma de arte!

Luciana Mariano

Love in a Portrait

Time is such a fast running stream that life becomes almost an unimportant movement of being.

Few things are really worth keeping records on this ephemeral path of ours.

 Let´s keep our good memories on a beautiful, old and dusty portrait.

Living documents, visual translations of our spirits, monuments to our self-written history…

Let´s become immortals based on our movements of love, or better not keep memories at all.

My favorite poet of all times is Carlos Drummond de Andrade.

    Necrológio dos desiludidos do amor

Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas os veremos
seja no claro céu ou no turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia…

Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados completamente
(paixões de primeira e de segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.

Can you find me?

pega-pega

Grandma´s house. Lovely place that smells like cookies and roses.

Wooden floor, crochet and porcelain. Grandchildren. Children. All the children.

Places and people that we´ve lost in time. Memories, stories, tastes and feelings that will never die.