Author: Luciana Mariano

Painter.

Objeto VIII

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Quem não tem pecados, que atire a primeira pedra.
Vejo pedras demais no caminho, mas nenhuma delas pavimenta.
Vejo gente que reza uma história e pratica outra.
Gente que julga e se senta no altar dos imaculados.
Gente que vive de imagem enquanto destrói o sonho alheio.
Fachadas suntuosas com ruínas internas.
Imundos corredores.
Quanta sujeira
Quanta decepção.
Chega de dar importância demais a quem merece de menos. Muito menos. Nada.
Por tempo demais, vi gente “boa” pisando de propósito na barra do vestido alheio.
Desejo de destruir, desabilitar sonhos, diminuir o brilho, a luz… por puro prazer.
Só a raça humana faz isso. O pior da raça humana.

Insistente sujeira,decepção.
Males desnecessários, mas que ensinam a quem quiser aprender.
Separar o joio do trigo. Entender a escuridão. Realizar o nojo.

Fartar-se.
Digerir.
Repelir.
Transmutar.

Quebra, ruptura.
Vazio, vácuo.
Ao invés da luta, entrega.

A unica cura possível é a pessoal. E ainda assim requer desejo.
Ela acontece no desapegar, no desprender, na desconexão.
Mudar e continuar alimentando feras não soa razoável. Nem possível.
Mudar, de fato, significa cortar as amarras e voar
Exercer a leveza da alma e do tempo.
Movimento interno, intenso
Silencioso, solitário, eterno.

Quanta bobagem se escuta e se vê.
Tantas outras se escreve.

Objecto VI

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Hoje, de relance
no espelho
Olhei o que vi
Gostei do que tinha
Um traço
Uma linha
Na curva do meu cabelo

Minha pele
Combinando o tom
Do olhar
E o sorriso
De Mona Lisa
Que ninguém percebeu
Ninguém nunca viu
Na vida inteira
Estava lá
E era meu.

OBJECT IV

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Muito pouco vale a pena.
Amigos abandonam
Familia decepciona
Você, hora escória
Hora história
Nem sempre emociona.
Quase nunca convence
Nunca vence.

Pássaro, livre
Coleta da vida o que precisa
E segue, sempre em frente
Nem lembra que teve ninho
Que foi ovo, casca, clara, gema
Passa-rinho

O que importa é o que passa pelo bico
E o vento que sopra as penas
Sem pena
A duras penas
Sobre as pernas
Plenas.

Muito pouco importa.
Pé de alface lá na horta
Alimento do dia
Alma vazia
Estrada torta
Areia no pé
Aberta porta
História morta.

O céu azul, acima
E a cabeça branca
Branda
Como planta
Muda
Olhar no horizonte
Atravessando a ponte
Só
Surda.

Quase nada lá dentro
Só o sol
Só a brisa
Só estrela e firmamento
Sem lamento
Sem rima
Palavra
Pensamento
Só a vida.
Só o vento.

Objeto IX

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Falo mas não digo
Ouço sem entender
Amo e não toco
Olho o invisível
Indecifrável Compreensão
Sigo,
A passos atônitos
Sorriso in-expressivo
Num domingo de sol
Guardada sob lençóis
Do quarto escuro de setembro.

Comunico
Porque assim, no mínimo
Me deixam só
Em paz
Nesse vácuo
Pesada leveza de quase não existir.
Presto atenção redobrada no respirar
Prova viva de que continuo consumindo
Gastando
Usando
Sendo
Indo

Entre falsos olhares de preocupação
Eles não se importam, eu, tampouco.
Fazem de conta que sabem
E eu que demonstro
Com exatidão
O nada a que me submeto.

Só as cores importam
As formas não são relevantes
Aliás, nada realmente é.

TRANSVERSAL

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Novas músicas
Novos sons
Novas artes
Novas idéias
Novos conceitos
Novos lugares
Novas pessoas
Novas risadas
Novas dores
Novos prolemas
Novas decepções
Novos amores
Novos medos
Novas dúvidas
Novas estratégias
Novas respostas
Novos caminhos
Novas cores
Novas alegrias
Novas perguntas
Novos sabores
Novas formas
Novos sentidos
Novas soluções
Novos dias
Novas palavras
Novas
Novas
Novos
Ovas,
Ovos.

Petróleo

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Vejo contraste em tudo que olho.
A cor se opõe ao vazio
a luz à escuridão
Polaridades
Dicotomias
Policromias
Oposições

Um perene nojo no ar
Uma náusea insistente
Do que é mas não deveria.
Do fofo, doce, lindo, aconchegante
Borrado (intencionalmente) com petróleo
A aflição do inevitável
O desencanto
A realidade.

O que é realidade?
O que é dor?
O que temos para hoje?

Where to go?

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I have no idea where to go… But I can feel I am getting closer.
I know I don’t need a car to take me there. Nor luggage.
My trip starts in my heart, travels through my eyes and can reach the most distant places in the Universe, as long as my hands can hold my brushes and my soul can carry my dreams.
It’s a lonely path, no doubt.
But there will be amazing creatures and moments along the way. Bonfires and the shadows will keep me warm and dance with me when the wind blows and the stars speak throughout the silence.
Life is an illusion. Time doesn’t exist.
But art does.
And thats all that matters.

André e Heitor

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When we are feeling pretty lost, we tend to search for roots, for references that may bring us back to safety and meaning. I have a gigantic family both on my dad’s and mom’s side. But I was raised not very close to neither, I always felt kind of separeted and not belonging to anything. This feeling made me grasp for a family of my own and when I was 21 I was already married and pregnant. 20 years later, my son is a grown up and the sense of empty nest syndrome sets in once again.
Through Facebook I got in touch with relatives that were long lost and missed. Some of them ( like the cousin in the painting) i have never met and yet, makes me long for something that runs deeper than the vains and surnames ties. André is a kind hearted person, who cares for his kid, helps the poor, works with at risk youth and yet takes his time to say hi and “like” stuff on the internet. Cool kid with a super cool little kid. So I painted him playing with Heitor. Because life passes too quickly when we play with our kids and some day, he will have this moment captured on canvas to rewind time.

……

Quando a gente se sente bem perdida, a gente começa a procurar por raízes, referencias que nos tragam seguramça e significado. Eu tenho familias gigantes do lado do meu pai e da minha mãe. Mas eu não fui criada muito próxima de nenhum dos lados, e eu sempre me senti meio separada e não pertencendo a coisa nenhuma. Esse sentimento talvez tenha sido a origem de eu, aos 21, ja estar casada e gravida. 20 anos depois, meu filho ja é adulto e a sensação de ninho vazio volta a aparecer. Pelo Facebook eu achei muitos parentes que ha muito havia me desencontrado e que faziam falta. Alguns deles (como o primo da pintura) eu ainda em conheço, mas me fazem falta por motivos ainda mais profundos do que os que correm nas veias ou nos laços de sobrenome. André é uma pessoa de coração enorme, que cuida do filhinho dele, ajuda pessoas que precisam, trabalha com dependentes químicos, corre e ainda assim tem tempo de dizer um oi e “curtir” coisas que ve na internet. Um cara legal com um filhotinho super legal. Então eu pintei ele brincando com o Heitor. Porque a vida passa rapido demais, especialmente quando brincamos com nossos filhos. Ai um dia, ele vai ter esse momento capturado na tela pra poder voltar no tempo! Beijos primos!

Hunger

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Do not take for granted
My hunger for life
I was buried alive while struggling to live
It wasn’t always easy to be me
it was the way I found to run from impossibilities
My living statement on unsafe grounds
Hunger became my ongoing state of existence
Only the new was fresh enough
Only the flexibible would bring me around
So I gently accepted my weaknesses
My failures, limitations and hopelessness
I took the chance on being myself
And never looked back

Dreaming

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Do not take for granted
My hability to dream
Reality has been around for quite a while
And it drove me close to extintion.
Somehow, I manage to keep myself alive
I dance among insanity, hope and faith
But i still allow myself to dreaming
It’s like the ultimate resource
As an intentional way for survival
It’s my self inducted vortex to freedom.